Na média ou fora da curva: quais profissionais queremos formar?

As recentes transformações socioeconômicas ocorridas em função da COVID-19 promoveram um momento de disrupção no ambiente educacional. O ensino remoto demandou a aplicação, de forma mais intensa, de metodologias ativas de ensino, em que os estudantes são mais responsáveis pelo processo de aprendizado.

Paulo Vitor Bruno Onezorge
Diretor

Antes disso, entretanto, vivíamos um evento que, se naquela época já recebia pouca atenção, agora, com o foco voltado para a pandemia, vem sendo praticamente ignorado. Refiro-me à modificação da Base Nacional Comum Curricular, que causará um efetivo apagão de mão de obra.

As mudanças na BNCC incluem a autonomia do aluno e novas formas de avaliação de desempenho. Tiram a obrigatoriedade de diversas disciplinas, mantendo obrigatório somente o ensino de português e matemática.

A falta da aplicação de competências esperadas no processo de formação no ensino básico é uma das consequências dessas mudanças. Além disso, com a adoção de novas metodologias de ensino, as escolas têm dificuldades para avaliar as habilidades necessárias para a progressão de séries.

Se, de um lado, a nova base nacional curricular moderniza a formação, com a inclusão da tecnologia, de outro, forma indivíduos incompletos, do ponto de vista mercadológico. Vemos um estoque de jovens egressos do ensino médio com muita dificuldade de definir qual profissão escolher.

Os reflexos são percebidos no mercado como um todo, de startups a empresas consolidadas, que se veem diante do desafio de encontrar talentos.

Estamos diante de um paradoxo: apesar do alto índice de desemprego, as empresas já se deparam com um apagão de mão de obra. É fácil explicar: há vagas disponíveis no mercado, mas para profissionais com currículo acima da média, que têm uma formação que vai além do que é simplesmente obrigatório.

Tem como reverter essa situação? A resposta, sem dúvida, é investir em educação profissional e superior. O único grupo que reverte o quadro do desemprego é composto por aqueles que possuem formação superior.

O Espírito Santo, apesar de pequeno, possui excelentes indicadores econômicos e tem despontado no desenvolvimento de negócios que demandam profissionais “fora da curva”. Temos oportunidades surgindo, inclusive, com o desenvolvimento de um ecossistema de inovação criado pela aposta de empreendedores que buscam valorizar os talentos formados aqui.

Vivemos uma janela de oportunidades, mas conquistá-las demanda formação acima da média, que vá além do “comum” ao qual nossos estudantes estão sendo submetidos desde cedo.

Este é o momento ideal para os jovens egressos do ensino básico buscarem qualificação em cursos de graduação e pós-graduação que promovam o desenvolvimento de competências que não se restrinjam apenas àquelas ensinadas em sala de aula, que ofereçam a combinação entre hard skills e soft skills.

Em um processo seletivo com vagas para diversos perfis, qual você vai querer disputar? A do profissional mediano ou a do profissional fora da curva?

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