Faculdade pública x faculdade particular: tudo que você precisar saber

“Fazer uma graduação em uma faculdade particular ou faculdade pública?” — eis a questão que tira o sono de diversos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio. E isso não é à toa, já que se trata do local que vai ser responsável tanto pela sua formação quanto pela sua experiência enquanto universitário.

Porém, motivado por conceitos mais que ultrapassados sobre o ensino superior privado e as reais diferenças encontradas em ambos os tipos de instituição (estrutura, forma de ingresso, matriz curricular etc.), nem sempre é fácil chegar a uma conclusão coerente com o que você precisa e quer para a sua carreira.

Pensando nisso, preparamos um post especial com os critérios, aspectos e pontos importantes a serem considerados na hora de “bater o martelo” sobre onde você vai estudar. Acompanhe!

Está chegando a hora de prestar vestibular, e agora?

Se já não basta a pressão dos demais, o nervosismo e a ansiedade se intensificam e tomam conta de quem está no terceiro ano do Ensino Médio e se depara com um dos primeiros grandes momentos decisivos em sua vida: a hora de prestar vestibular.

Devido ao peso que essa importante etapa acarreta — não somente para a formação que se deseja ter, mas também para o sucesso profissional que se espera alcançar —, é comum que muitos estudantes se sintam desnorteados, sem saber ao certo como agir para assegurar a aprovação e a escolha de uma boa faculdade.

Por isso, saiba que o primeiro passo a ser dado é definir o curso que você deseja realizar. Afinal, trata-se da área na qual você vai se formar e principalmente na qual vai atuar e construir sua carreira. Portanto, é importante pensar e repensar bem sua decisão, em especial se você está indeciso entre duas ou mais opções, como Arquitetura e Engenharia Civil.

Para tanto, vale a pena pesquisar sobre a grade curricular de cada um deles, conhecer as diferenças entre as áreas de exatas, humanas e biológicas, informar-se sobre como está o mercado, procurar levantamentos sobre jornada de trabalho e média salarial etc.

Feito isso (e chegado a uma definição), você pode (e deve) conversar com seus familiares e contar com a orientação dos seus professores e equipe pedagógica do seu colégio para definir ou, pelo menos, traçar as instituições que mais se enquadram no seu perfil. A partir disso, será mais fácil se planejar e seguir um cronograma para estudar para o vestibular que garanta a melhor preparação mediante suas possibilidades e seus objetivos.

Como escolher a faculdade ideal?

Decidir-se entre faculdade particular e faculdade pública não é uma tarefa fácil. São diversas questões que devem ser analisadas e postas na balança para encontrar aquela que é ideal para o que você quer e, acima de tudo, precisa.

Por isso, ao terminar de ler este post, faça um exercício que o ajudará nesse processo. Ele consiste nas perguntas que estão abaixo, às quais você deve responder para, a partir das suas respostas, identificar qual o tipo de instituição está mais apta a lhe proporcionar aquilo de que necessita.

  • Há problema em enfrentar greves de professores, servidores ou outras classes ligadas às universidades públicas e atrasar em um ou mais semestres a sua formação?

  • Para você é importante ter horários mais bem estabelecidos e opções de turnos que vão além do diurno, como o noturno — tal qual ocorre na faculdade particular — para poder estudar e simultaneamente realizar um estágio ou mesmo trabalhar?

  • Laboratórios, salas, estúdios, auditórios e outros ambientes da universidade devem ter equipamentos de ponta e 100% atualizados ou você não se importa em utilizar um material que pode eventualmente estar defasado, algo comum nos institutos públicos?

  • Segurança é algo primordial para o seu bem-estar? Se sim, você prefere espaços físicos de uma instituição particular que tenham equipe de segurança e monitoramento para preservar seu patrimônio e sua integridade física, correto?

Faculdade pública ou faculdade particular?

Um das principais questões que causa indecisão nos estudantes quanto a escolha entre faculdade particular e faculdade pública é o aspecto financeiro.

Isso porque, como você deve saber, as universidades federais e estaduais não cobram matrícula nem mensalidades dos alunos delas — o que se torna um atrativo para muitas pessoas, especialmente aquelas que estão com o orçamento comprometido ou que possuem a renda familiar mais apertada.

Porém, se esse é o seu caso, saiba que você não possui somente essa opção. Afinal, a maioria das instituições particulares dispõe de opções de financiamento estudantil, como o Fies, e bolsas, como o ProUni, que facilitam o acesso de estudantes ao ensino superior, visto que essas alternativas fornecem o aporte financeiro para os custos que eles vão ter ao longo da graduação.

Além disso, uma vez matriculado e estudando, você tem a oportunidade de conquistar bolsas de pesquisa, monitoria ou de participação em atividades acadêmicas.

Por fim, caso queira, ainda há a possibilidade da redução do número de disciplinas por semestre, o que automaticamente diminui os valores da mensalidade. Para completar, ainda também facilita caso você precise de um horário livre mais extenso para trabalhar e realizar outros programas e cursos (línguas, informática etc.) fora do campus.

O que levar em conta na hora de escolher a faculdade?

Tendo falado sobre a questão financeira que ronda o imaginário de muitos estudantes e também de alguns dos principais critérios para escolher a faculdade ideal entre a particular e a pública, chegou o momento de abordar os aspectos que devem ser levados em conta ao decidir qual será a sua instituição de ensino.

É fundamental que você leia com atenção e entenda o impacto que cada um deles pode causar não apenas na sua experiência como universitário e na respectiva vivência nos espaços compartilhados com outros alunos, mas principalmente na qualidade da sua formação e na sua preparação para o mercado de trabalho.

O motivo disso é que são eles os responsáveis por torná-lo um profissional verdadeiramente capacitado para atuar no quadro de qualquer que seja a empresa e ainda assim fazer a diferença com uma liderança orientada, criatividade e inovação, alta capacidade de adaptação e diferentes habilidades para assumir cargos com poder de decisão. Logo, a universidade eleita precisa (e deve) fornecer isso a você. Confira a seguir quais são eles:

Formas de ingresso

Um dos primeiros aspectos que você deve levar em conta é a forma de ingresso. Isso porque, embora o Exame Nacional do Ensino Médio tenha se tornado a porta de entrada da maioria das instituições públicas, são diversas as universidades que adotam outros formatos para o ingresso dos alunos — e isso vale não apenas para as particulares, mas também para algumas federais e estaduais.

Isso acontece porque todos os institutos têm autonomia para definir qual modelo será aplicado. Por exemplo, há aquelas que mantém um vestibular próprio — fora as provas de habilidades específicas — e utilizam apenas a nota dele, outras que aderem ao vestibular e ao Enem simultaneamente e, por fim, aquelas que usam só parcialmente o resultado do Enem (para preencher vagas remanescentes entre outras possibilidades).

Portanto, conhecer e entender o processo seletivo das universidades é indispensável, uma vez que cada tipo de ingresso vai influenciar diretamente a sua preparação e rotina de estudos. Abaixo, nós falamos um pouco mais sobre ambos os formatos e as peculiaridades deles:

Enem

O Enem, que é elaborado anualmente pelo Ministério da Educação, se tornou bastante popular graças à sua larga adesão em todo o território nacional. Separando as matérias em quatro áreas de conhecimento (matemática e suas tecnologias, ciências humanas e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias e linguagens, códigos e suas tecnologias), ele se propõe a ir além de indicar aqueles que vão ingressar no ensino superior.

Isso porque ele busca medir o desempenho dos estudantes e, ao mesmo tempo, traçar o perfil dos alunos que estão saindo do Ensino Médio. Algumas universidades que o adotaram utilizam um sistema de pesos para o resultado de cada área, além de incluir a nota da redação do Enem para a média final.

Um dos principais pontos positivos dessa modalidade é que a pontuação obtida pode ser utilizada para concorrer a uma vaga por meio do SiSu não apenas nas instituições participantes da sua cidade e/ou estado, como também de outras regiões — o que, contudo, pode aumentar significativamente a concorrência em um curso de um determinado local.

Já para quem planeja recorrer aos programas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade Para Todos (ProUni), que também são geridos pelo MEC, é essencial realizar o Enem, visto que ele é utilizado como critério de aprovação para estar apto a receber o aporte financeiro para se graduar em uma faculdade particular.

Vestibular

Já o vestibular, por sua vez, é elaborado pela própria instituição de ensino superior. A inscrição é feita diretamente com ela, seja presencialmente ou online, e a prova pode ter tanto uma data pré-estabelecida quanto também pode ser agendada para maior comodidade e praticidade do estudante.

A concorrência também difere da modalidade anterior, já que tende a ser a nível municipal/regional, embora, é claro, não haja impedimentos para a inscrição de alunos de outros estados. Além disso, o resultado obtido servirá exclusivamente para a respectiva universidade.

Outra questão que o diferencia do Exame Nacional do Ensino Médio é que o processo pode ser dividido em duas etapas. A primeira para questões de conhecimentos gerais e a segunda (e última) para conhecimentos específicos — que estão diretamente relacionados à graduação que se deseja fazer.

Quem planeja cursar uma das engenharias, por exemplo, realizará questões que envolvem matemática e física no segundo momento. Já para administração será matemática e história e assim sucessivamente.

Infraestrutura

Saindo das formas de ingresso, temos um dos pontos mais relevantes ao decidir aquela que será a sua universidade: a infraestrutura que ela possui. Essa é uma questão até um pouco óbvia, mas, ainda assim, crucial, pois trata-se do que você terá à disposição durante os quatro, cinco ou seis anos de graduação e que pode afetar (e muito) a qualidade do ensino e do seu aprendizado.

A razão disso é que sem uma boa infraestrutura, não há áreas dentro do campus para socialização e networking com demais estudantes nem sequer espaço adequado para as aulas e provas ocorrerem. Sem mencionar que a segurança dos seus bens e a sua integridade física também ficam comprometidas. Portanto, como você pode perceber, a sua experiência universitária está intrinsecamente relacionada a esse aspecto.

Por isso, informe-se sobre a existência de blocos didáticos separados por cursos e suas respectivas coordenações, um bloco de laboratórios (robótica aplicada, circuitos elétricos, anatomia e fisiologia, mecanismos e automação etc.) empresas júnior, biblioteca, centro de convivência, salas administrativas, salas de aula assistidas por computador e muito mais.

Programas de empreendedorismo

Os programas de empreendedorismo são um diferencial extra que somente uma boa faculdade possui e que, certamente, deve ser levado em consideração na sua decisão.

A razão disso, é que, fora a matriz curricular dos cursos, os alunos podem complementar a própria formação com conhecimentos teóricos e práticos sobre gestão de negócios, ações empreendedoras e noções de mercado financeiro que expandem a visão deles enquanto profissionais e geram infinitas possibilidades para o futuro deles.

E não se engane, pois elas não são exclusivamente para quem deseja ocupar cargos de liderança e supervisão em grandes companhias. Ao contrário, isso abre as portas para quem deseja ser dono da própria empresa — independentemente da área em que se graduou, seja ela de humanas, biológicas ou exatas — e movimentar a economia local com geração de empregos, investimentos e ideias inovadoras.

Possibilidades de intercâmbio

Outro aspecto que você deve levar em conta na hora de escolher a faculdade ideal são as oportunidades que ela pode lhe oferecer para realizar um intercâmbio. Afinal, morar fora, alcançar a fluência em outra língua, conhecer de perto outros estilos de vida e cultura e ter uma formação internacional é uma experiência que potencializa o seu currículo e, de quebra, modifica-o para melhor tanto pessoal quanto profissionalmente.

Por isso, pesquise sobre os convênios firmados com outras instituições ao redor do mundo — assim como o histórico de cada uma delas —, as modalidades oferecidas para os estudantes (graduação sanduíche, curso de idiomas, programa de duplo diploma etc.) e a chance de conseguir uma bolsa para o custeio das despesas devido ao seu projeto de pesquisa elaborado que pode receber apoio de alguma fundação vinculada ao MEC.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Fundação de Administração e Pesquisa Econômico-Social (FAPES) são algumas das principais mantenedoras de bolsistas de pesquisa em universidades estrangeiras.

Reconhecimento do mercado

O reconhecimento da instituição é mais um aspecto importante. Isso porque foi-se o tempo em que apenas universidades federais e estaduais tinham prestígio pela formação de novos profissionais. Hoje, essa visão equivocada mudou e o próprio mercado já não distingue mais a origem do diploma apenas por ser oriundo do ensino público ou privado.

Ao contrário, agora mais que nunca é valorizado o histórico da instituição, o crescimento e expansão da estrutura que ela possui, os projetos de pesquisa que ela desenvolve, as parcerias com grandes companhias (como a Petrobras), o enfoque do aprendizado para atender regiões com alto índice de industrialização etc.

Programas de pesquisa e extensão

Além do que já foi citado, os programas de pesquisa e extensão também devem ter um peso significativo na sua decisão. Isso porque uma faculdade que os oferta aumenta significativamente as experiências dos estudantes no âmbito da vida acadêmica permitindo, assim, que a formação deles seja completa e alie, de fato, a teoria e a prática.

Ou seja, uma universidade com uma forte e consistente política interna de estímulo à pesquisa e aos projetos de extensão fornece o ambiente necessário para que você:

  • tenha uma maior integração com professores e colegas, vivenciando o campus e os espaços dos quais ele dispõe;

  • aprimore o conhecimento adquirido em sala de aula e amplie sua bagagem metodológica ao passo que desenvolve novas metodologias;

  • realizar ações que busquem soluções efetivas para problemas e necessidades da sociedade que visam a melhoria dela e a relação que possui com a instituição.

Isso sem mencionar, é claro, que ambos os programas são um excelente caminho para quem deseja participar de uma iniciação científica e pensa em optar pela carreira acadêmica, realizando uma pós-graduação com foco na mesma temática abordada em um dos projetos.

Auxílio na busca por estágios

Por fim, não podemos deixar de citar o suporte que a universidade oferece a você no momento em que sua busca por estágios se inicia, seja ele complementar, seja ele supervisionado. Deixado (equivocadamente) de lado por muitos, esse é um aspecto fundamental para mostrar o comprometimento e o respeito que a instituição tem com seus alunos que, em muitos casos, chega a se tornar mediadora desse processo.

E isso não é à toa, já que muitas empresas, seja por parcerias, seja por financiamentos a projetos de pesquisa e extensão, criam vínculos com a universidade e geram oportunidades para os estudantes que estão nos semestres finais do curso.

Com isso, você tem a possibilidade de vivenciar, na prática, aquilo que aprendeu em sala de aula e laboratórios, explorar as áreas com as quais mais tem afinidade dentro de uma companhia real — muitas vezes de grande porte e importante no cenário nacional — e entender a fundo quais são as demandas que o mercado possui para a sua profissão no momento.

O que não pode faltar na faculdade ideal?

Já falamos sobre como definir a faculdade mais indicada para as suas necessidades, os aspectos a serem considerados no momento da escolha e o impacto da questão financeira na sua decisão. Agora, é a hora de conhecer alguns pontos importantes que não podem faltar na sua universidade. Veja quais são eles:

  • corpo docente com formação acadêmica diversificada (especialistas, mestres e doutores) e que também possua experiência no mercado para garantir que a sua capacitação seja sólida e de extrema qualidade;

  • biblioteca com computadores conectados à internet, salas de estudo, mesas de leitura, cabines individuais de estudo e principalmente um acervo bibliográfico completo que sirva como suporte para realização de trabalhos, pesquisas, projetos e trabalhos de conclusão de curso;

  • matriz curricular desenvolvida para mesclar a visão acadêmica e a de mercado, gerando, assim, profissionais aptos a lidar com questões técnicas e teóricas para atender a demanda dos seus respectivos setores;

  • oferta de cursos de pós-graduação lato sensu (especialização e MBA) para quem deseja se aperfeiçoar e ter uma formação mais profissional — o que é ideal para quer seguir uma carreira com foco gerencial.

Afinal, qual é a melhor opção?

Depois de ler com atenção todos os pontos que abordamos sobre faculdade particular e faculdade pública, você, certamente, está se perguntando qual é a melhor opção para si, não é mesmo? Porém, essa é uma questão que nenhuma outra pessoa, além de você mesmo, pode responder.

A razão disso, é que, como mostramos ao longo do texto, o que faz uma instituição de ensino ser a melhor para o que você procura (e precisa) é a capacidade de unir diferentes aspectos em um só lugar.

Entre eles, está uma formação multidisciplinar, um viés teórico e prático na aquisição de conhecimento, uma maior vivência da vida acadêmica e a construção de um plano de carreira que se inicia ainda campus e se estende por toda sua vida profissional.

Justamente por esse motivo, é de suma importância que a sua escolha seja inteligente, não se prenda a velhos conceitos que já não se aplicam à realidade e considere todos os tópicos aqui citados, pois eles vão fazer a diferença na sua graduação.

Agora que você já sabe o que analisar ao escolher entre faculdade particular e faculdade pública, não deixe de pesar os prós e contras de cada instituição para se graduar naquela que vai proporcionar nada menos do que o melhor para a sua formação. Aproveite também e assine já a nossa newsletter para ficar por dentro de todas as informações sobre o curso o que deseja fazer!