Curso de Arquitetura: tudo o que você precisa saber

Basta o fim do Ensino Médio se aproximar para aumentar a pressão de amigos, pais e familiares sobre qual carreira você vai seguir, não é mesmo? Entretanto, é natural ainda estar amadurecendo essa decisão, especialmente quando se deseja fazer o curso de Arquitetura e Urbanismo. Isso porque, além de uma formação multidisciplinar, são diversas as opções de atuação e habilidades que podem ser desenvolvidas durante a faculdade.

Por essa razão, você quer pesquisar mais a respeito para entender melhor como é a graduação e o mercado de trabalho. Pensando nisso, reunimos em um só post tudo o que é preciso saber para acertar em cheio nessa escolha e se tornar um futuro arquiteto. Confira e tire todas as suas dúvidas a respeito!

Como é o curso de Arquitetura?

Com duração média de cinco anos, o curso de Arquitetura une aspectos tanto da área de exatas quanto de humanas. Porém, não se engane: a formação não é metódica ou focada exclusivamente em aspectos técnicos — que é uma característica com a qual o perfil de estudante de Engenharia vai lidar (no caso, a Civil).

Ao contrário, ela estimula a união de ambas as esferas e, notadamente, valoriza a assimilação do conhecimento teórico aliado à prática para que você possa descobrir o perfil profissional com o qual vai se identificar e que, é claro, permitirá alcançar seus anseios e expectativas de carreira.

Em paralelo a isso, o curso ajuda-o a desenvolver uma visão humanizada acerca dos efeitos do seu próprio trabalho e do potencial que ele tem para transformar a cidade, proteger o meio ambiente, valorizar o patrimônio histórico-cultural e maximizar a qualidade de vida dos cidadãos.

Tudo isso por meio de projetos e obras das quais você fará parte quando formado e que, ao longo da graduação, aprenderá todo o processo e concepção por trás deles.

Qual é a diferença entre Arquitetura e Engenharia?

Por ser uma dúvida tão comum e compartilhada por tantas pessoas, não é difícil ver quem cometa o erro de confundir as funções de um arquiteto e um engenheiro civil e, em alguns casos, até acreditar que as ocupações são sinônimas uma da outra. Acredita?

Um dos principais motivos para isso está no fato de ambas as áreas serem bastante interligadas no processo de construção, já que toda e qualquer edificação necessita tanto de um quanto de outro profissional.

Você, por exemplo, sabe dizer quais são as diferenças entre a Arquitetura e a Engenharia Civil? Já entende como um segmento pode interferir no outro? Caso a resposta seja negativa, não se preocupe! Chegou o momento de descobrir!

O profissional do primeiro ramo é o responsável por elaborar o projeto que será seguido durante as etapas posteriores da obra. Esse material pode ser produzido a pedido de um cliente comum que quer construir a residência dele ou de uma empresa que deseja abrir uma nova filial na cidade, por exemplo.

Nessa planta, vão estar presentes o planejamento, a divisão e a função dos espaços internos e externos, além, é claro, dos aspectos estéticos relacionados a esses ambientes e que serão concluídos apenas ao fim do processo.

Já o segundo, isto é, o engenheiro, será o encarregado das questões técnicas envolvendo não apenas os cálculos para assegurar a resistência das fundações e capacidade do solo de suportar cargas, mas também do orçamento envolvendo desde materiais e equipamentos à mão de obra.

Ou seja, o trabalho de um influencia o do outro e precisam caminhar lado a lado para garantir a viabilidade do projeto, prevenir possíveis danos ambientais, considerar o impacto urbano na região e muito mais.

O que um(a) arquiteto(a) faz de verdade?

“Eu entendi quais são as diferenças entre Arquitetura e Engenharia. Contudo, ainda não sei ao certo o que faz um arquiteto na prática. Quais são as áreas de atuação desse profissional?” — você deve estar se perguntando.

É justamente para esclarecer essa dúvida que reunimos, abaixo, alguns dos diversos segmentos que você poderá seguir depois de formado. Veja:

Urbanismo

Área voltada, como o próprio nome sugere, para o planejamento urbano da cidade. Nela, o arquiteto desempenha funções ligadas ao zoneamento das regiões/zonas do município, como projeção de áreas verdes e espaços públicos, planejamento de loteamento e melhoria da mobilidade urbana do transporte público.

Luminotécnica

Nesse campo, o profissional é o responsável pela concepção de projetos luminotécnicos para ambientes internos e externos dos mais diversos empreendimentos. Por isso, foca o seu conhecimento técnico para proporcionar o máximo de conforto visual e térmico a todos aqueles que estão no mesmo espaço.

Paisagismo

O paisagismo, diferentemente das últimas duas áreas, é voltado para a concepção artística e estética de espaços ao ar livre, como jardins, parques, praças, bosques etc. Por essa razão, ele utiliza equipamentos, materiais e a própria natureza para elaborar projetos ornamentais que valorizem e, ao mesmo tempo, integrem esses locais à cidade.

Restauração de edifícios

A restauração de edifícios, por sua vez, é um segmento da Arquitetura que foca na recuperação parcial ou total das mais diferentes edificações da cidade, muitas das quais são, inclusive, tombadas como patrimônio histórico pelo contexto sociocultural em que foram elaboradas e construídas.

Dessa forma, é possível preservar as particularidades de cada obra ao mesmo tempo que se garante a longevidade desses prédios e a segurança daqueles que os visitam ou frequentam regularmente.

Visualização arquitetônica

Outra vertente promissora e que está em constante processo de expansão é o setor de visualização arquitetônica. Nele, você se especializa na modelagem 3D, seja de áreas internas ou externas de edificações, por meio de diferentes softwares para atender à demanda do mercado.

Quem trabalha com isso costuma está intrinsecamente envolvido em projetos solicitados por várias esferas, como o design de interiores, a publicidade (comerciais, apresentações etc.) e, em especial, as empresas privadas e órgãos estaduais e federais (secretarias, postos etc.) que estão frequentemente em processo de construção de diferentes obras.

Acompanhamento e gerenciamento de obras

Uma das áreas que mais atraem futuros estudantes do curso, o acompanhamento e gerenciamento de obras é feito pelo arquiteto que não apenas assegura que o trabalho siga o projeto elaborado à risca, mas também que tudo seja feito dentro do prazo e com o máximo de segurança.

Um exemplo muito comum disso são os casos de grandes construções, como edifícios e condomínios, que contam com personalização ainda na planta e requerem processos de execução e qualidade ímpares.

Desenho de mobiliário

Fora todos os campos já citados, há muitos profissionais que se dedicam ao design de interiores e trabalham com a criação, projeção e desenvolvimento de mobiliário para residências, empresas, comércios, centros religiosos etc.

Muitas dessas peças, inclusive, são elaboradas sob demanda de clientes visando atender tanto às necessidades dele quanto às questões fundamentais em qualquer ambiente, como circulação, ventilação, funcionalidade e equilíbrio visual.

Que matérias são ensinadas na faculdade?

Um dos pontos altos do curso de Arquitetura é que a grade curricular tem um caráter exploratório e preparatório para todas as áreas de atuação que um arquiteto pode seguir.

Por essa razão, as disciplinas são tão diversificadas, ricas em conteúdo e permitem que você desenvolva seus talentos e habilidades, adquira conhecimento técnico sobre diferentes assuntos e descubra com qual ramo se identifica mais. Abaixo, nós reunimos algumas das matérias que serão vistas ao longo dos dez semestres da sua formação:

  • História da Arte;

  • Desenho Técnico;

  • Computação gráfica;

  • Desenho Arquitetônico;

  • Eletrotécnica;

  • Sistemas Estruturais;

  • Física;

  • Matemática Básica;

  • Ética e Legislação Profissional;

  • Patrimônio Histórico;

  • Paisagismo;

  • Instalações Prediais;

  • Ergonomia;

  • Geotécnica;

  • Conforto Ambiental;

  • Sociologia Urbana e Ambiental.

Além dessas disciplinas que compõem a matriz do curso, também há o estágio curricular, que serve como um importante complemento ao aprendizado.

Isso porque ele gera a oportunidade para ganhar experiência na área escolhida, fazer networking, desenvolver novas competências e entender a dinâmica do mercado de trabalho. Contudo, as matérias que vão ser cursadas ou o estágio não são as únicas dúvidas de quem planeja cursar essa faculdade.

Muitos se perguntam, por exemplo, se Arquitetura tem muito cálculo, se é preciso ter técnicas apuradas de desenho, quais são os programas utilizados na rotina do graduando e qual é o material para o curso de Arquitetura (assim como o valor dele). Para responder essas questões, preparamos os tópicos a seguir:

Preciso saber desenhar? E cálculo?

Se você sabe desenhar (e gosta de fazer isso), sem sombras de dúvidas, esse será um aspecto positivo que vai ser aprimorado e o acompanhará por toda a sua carreira. Por outro lado, se você não domina ou mesmo sabe pouco dessa arte não precisa se desesperar, pois nem tudo está perdido como pode parecer em um primeiro momento!

Lembre-se de que essa profissão está sempre em constante evolução e inovação. Justamente por isso, não se restringe apenas a esse tipo de formato de criação no trabalho. Ao contrário, é cada vez mais comum o uso de softwares para a elaboração de inúmeros projetos.

Portanto, você terá a tecnologia como sua grande aliada no dia a dia de trabalho, além, é claro, de poder investir e se dedicar a aprender técnicas de desenho caso queira.

Já em relação aos cálculos, que também tiram o sono de muitos futuros estudantes de Arquitetura — principalmente daqueles que não se dão muito bem com a matemática — a regra é simples: você não precisa ser o mestre das fórmulas. Longe disso!

Todavia, é importante se dedicar aos conteúdos do gênero, praticar exercícios, tirar dúvidas e contar com o apoio constante dos professores para uma boa assimilação das matérias que envolvem contas. A razão disso, é que, eventualmente, você usará cálculos quando trabalhar com edificações, por exemplo.

Que softwares eu preciso dominar?

Os softwares são parte fundamental do trabalho de um arquiteto — ainda mais para quem sonha se especializar em visualização arquitetônica e ser um profissional renomado no meio. Por isso, desde a faculdade, é necessário não apenas se interessar como ter contato frequente com eles e buscar dominá-los.

Portanto, tenha em mente que, a partir de hoje, esse é um processo constante que acontecerá tanto dentro do campus quanto fora dele e, inclusive, continuará depois de você se formar e estar trabalhando.

Afinal, é comum que esses programas sejam atualizados anualmente e sofram mudanças que vão desde a interface até a performance deles. Para ajudá-lo a começar a se familiarizar, aqui vão os principais: AutoCad, SketchUp, Archicad, 3DSMAX e Revit.

Uma dica especial e bastante útil para você é que, antes de entrar na universidade, confira se o seu notebook ou computador possui um sistema que permite o bom funcionamento desses softwares. Por precisarem de um bom processador e uma placa de vídeo no mínimo intermediária, não são todos os PCs que os suportam!

Que materiais são úteis durante o curso?

Definir que itens você usará durante todo o curso pode ser uma tarefa árdua. A razão para isso é que diversos fatores vão influenciar essa questão, como é o caso dos trabalhos e projetos que você desenvolverá na faculdade, o ramo da Arquitetura que mais o atrai e o seu interesse por desenhar.

Logo, a quantidade de produtos e os custos envolvidos vão ser diferentes para cada aluno. Entretanto, alguns materiais são, sim, muito comuns e não será difícil ver seus colegas com objetos similares aos seus, como: esquadros, escalímetro, compasso, réguas, pasta A3 e/ou tubo plástico, blocos de papel A3, calculadora científica etc.

Existe Arquitetura EAD, ou seja, um curso a distância?

Quem já trabalha (ainda mais em período integral) — por precisar contribuir com a renda mensal em casa —, conta com compromissos sociais ou tem filho pequeno, por exemplo, muitas vezes se vê em um verdadeiro dilema: como cursar uma faculdade se os momentos que tem disponíveis não são durante o período das aulas?

Em situações assim, é frequente a procura pela modalidade de graduação a distância, que permite ao estudante definir os próprios horários para se dedicar ao aprendizado e reduz a necessidade de locomoção até um espaço físico pré-estabelecido para assistir às aulas — ficando obrigatório apenas a presença em dias de prova, conforme estipulado pelo MEC.

Se esse é o seu caso, você deve estar se questionando se há Arquitetura EAD, não é verdade? Pois bem, a resposta é sim. Se for do seu interesse saber mais a respeito, não deixe de analisar os pontos positivos e negativos dessa decisão e optar por uma instituição séria, reconhecida no mercado e com histórico. Afinal de contas, trata-se da sua formação e você não pode querer menos do que a excelência quanto ao ensino!

Quanto pode custar uma faculdade de Arquitetura?

O valor do curso de Arquitetura vai variar de instituição para instituição. Por essa razão, podem ser levados em consideração diferentes fatores que vão influenciar no custo da mensalidade, como estrutura física, corpo docente, modalidade de ensino (presencial ou EAD) etc.

Entretanto, há muitos estudantes que mesmo trabalhando já têm o orçamento comprometido ou a renda familiar não permite arcar com os custos do ensino superior privado. Caso você se identifique com um desses dois casos, saiba que isso não significa que seu sonho de se graduar e se profissionalizar acabou.

Existem opções que podem ser usadas se forem necessárias, como bolsas e financiamentos estudantis. Entre os exemplos mais populares estão o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).

O primeiro é um programa mantido pelo Governo Federal que concede bolsas parciais e integrais aos alunos. Já o segundo, por sua vez, foi criado pelo Ministério da Educação e fornece aporte de 50%, 75% ou 100% aos jovens para que eles possam custear os gastos com a graduação.

Mas lembre-se: é importante ficar atento aos processos seletivos de ambas as alternativas para conferir se você é elegível de acordo com os critérios delas, quais são os prazos e como funcionam as candidaturas para se tornar um beneficiário de uma ou, quem sabe, as duas simultaneamente, já que os editais das duas modalidades permitem.

Como está o mercado de trabalho em Arquitetura?

Já falamos do que se trata o curso de Arquitetura, o que um arquiteto faz, as diferenças entre entre ele e um engenheiro civil, os softwares importantes no meio e as matérias que são vistas durante a graduação. Agora, chegamos a uma dúvida compartilhada por 10 entre cada 10 estudantes: como está o mercado de trabalho para os profissionais do ramo?

Para explicar essa questão, nós abordaremos, abaixo, não apenas a renda mensal baseada no piso salarial de um arquiteto, como também a taxa de ocupação. Afinal, você quer se graduar e encontrar rapidamente um bom emprego, não é mesmo? Portanto, acompanhe:

Quanto ganha um arquiteto

De acordo com a Lei 4.950-A/66, é estabelecido um piso salarial para os profissionais de Arquitetura que segue as seguintes regras:

  • jornadas de seis horas diárias de trabalho equivalem a seis salários mínimos;

  • jornadas de sete horas diárias de trabalho recebem reajuste de 25% e valem 7,25 salários mínimos;

  • jornadas de oito horas diárias de trabalho, que também recebem reajuste de 25%, valem 8,25 salários mínimos.

Logo, arquitetos que atuam em suas respectivas áreas por 36 horas semanais têm uma renda média de R$ 5.622,00 — se considerarmos, por exemplo, o salário mínimo de 2017, que é de R$ 937,00.

Taxa de ocupação para recém-formados

Há pouco, você leu sobre o piso salarial e a renda mensal que pode ter ao seguir sua carreira nesse meio. Todavia, agora é o momento de saber como está o mercado para os recém-formados.

Segundo o levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ele se mantém elevado e em destaque no cenário nacional. O motivo é que o percentual de taxa de ocupação é um dos mais altos do Brasil: 94,69% — o quarto maior, para ser mais preciso.

O que esperar do futuro da carreira?

Eis que chegamos à última questão do nosso post sobre o curso de Arquitetura — ou melhor, sobre o que esperar depois de formado. Algo natural, já que, além do retorno financeiro, você busca começar o plano de carreira que vai mudar sua vida profissional com chances contínuas de desenvolvimento, estabilidade e independência.

Por isso, nós temos uma boa notícia para você. Fora os excelentes dados que apresentamos no tópico anterior, o censo realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) mostra que a formação não se restringe apenas à graduação, com mais de um quarto dos profissionais (25,49%) buscando se especializar por meio de uma pós-graduação.

Além disso, ainda segundo o levantamento do IPEA, junto dos diferentes tipos de Engenharia e de Medicina, a Arquitetura é uma das profissões que tem uma das maiores médias salariais e com variação anual positiva dos ganhos — aspecto que se mantém mesmo em tempos de crise que afetam o mercado de trabalho e a oferta de empregos.

Portanto, o cenário não poderia ser mais positivo: de um lado há um enorme potencial financeiro que pode ser atingido e, do outro, uma demanda contínua por profissionais da área para as mais distintas possibilidades de ocupação.

Outro ponto importante é que o arquiteto pode integrar uma empresa e fazer parte do quadro de colaboradores dela, realizar projetos de modo autônomo e criar o próprio portfólio a partir deles ou montar um estúdio, que pode ser gerenciado individualmente ou em parceria com um ou mais parceiros.

Para se ter ideia, acontece bastante de amigos e colegas de faculdade se juntarem, aliando as especializações de cada um, e investirem em uma empresa que pode explorar e atuar em diferentes vertentes do mercado.

Como você leu, o curso de Arquitetura o prepara para uma formação dinâmica, desafiadora e, acima de tudo, para uma carreira de sucesso. Portanto, invista nele! Mas, se ainda assim há dúvidas sobre que profissão seguir, saiba que não é preciso se precipitar sobre como escolher a faculdade ideal. Você pode fazer um teste vocacional, conversar com pessoas que já são formadas na área e, claro, pedir a opinião da sua família — que é muito importante nesses momentos!

E se você quiser saber mas sobre essa e outras opções de graduações, já sabe: assine agora a nossa newsletter e se mantenha sempre informado sobre o meio universitário!